domingo, 28 de junho de 2009

Sondagem coloca PSD na frente

Ficámos todos muito desconfiados com as sondagens nas últimas eleições para o parlamento europeu por, na generalidade, terem falhado na previsão dos resultados reais. Ainda assim vale a pena referir a última sondagem publicada, a primeira para as legislativas realizada depois das europeias, até porque foi realizada pela Marktest, a única cuja sondagem previu a vitória do PSD no dia 7 de Junho.

O barómetro de Junho da Marktest para a TSF e Diário Económico coloca agora o PSD na frente para a vitória nas legislativas, embora em empate técnico com PS. 

Assim a sondagem dá 35,8% para o PSD (28,3% em Maio), seguindo-se o PS com 34,5% (36,3% em Maio). O BE mantém a terceira posição com 13,1% (14,7% em Maio) à frente dos 7,7% do PCP (9,4% em Maio). Na última posição continua o CDS agora com 4,4% (7,1% em Maio).

A amostra é de 800 inquiridos entre os dias 16 e 20 deste mês, sendo o intervalo de confiança de 95% e a margem de erro de 3,46%.

É apenas uma sondagem a três meses das eleições legislativas e certamente outras se seguirão, mas mesmo assim não deixa de ser um indicador. Em linha com os resultados das recentes eleições europeias, mostrando de novo que Manuela Ferreira Leite pode vencer as próximas eleições legislativas e formar Governo.

Cavaco decidiu, está decidido.

Durante os últimos dias foram vários os sinais públicos de que o Presidente Cavaco Silva preferia que as eleições legislativas e autárquicas se realizassem na mesma data, tendo adiantado diversos argumentos nesse sentido.


Ouvidos os partidos políticos como determina a Lei a maioria defendeu a realização das duas eleições em dias separados. Os comentadores políticos com opinião nos diversos orgãos de comunicação dividiram-se entre uma e outra opinião. Conheço contudo muito poucos portugueses que desejassem as eleições em dias separados.

O Presidente Cavaco Silva decidiu marcar as eleições legislativas para o dia 27 de Setembro, tendo o Governo já marcado as autárquicas para o dia 11 de Outubro. Na decisão do Presidente contou decisivamente a opinião maioritária dos partidos políticos, porque são eles que vão a votos. Cavaco Silva respeitou a opinião maioritária dos partidos, mas não sei se o país ficou a ganhar com a decisão.

Entre o país e os partidos, venceu a "partidocracia". Vamos então a votos em dias diferentes como se os portugueses fossem todos burros.

sábado, 27 de junho de 2009

Thriller: alguém podia ficar indiferente?

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sim, nós damos conta do recado!

O Presidente da Republica realizou ontem as audições aos partidos políticos com assento parlamentar sobre a marcação da data para a realização das eleições legislativas. Ao Governo compete marcar a data das eleições autárquicas, sabendo-se que os dois actos eleitorais, por razões de calendário, só se poderão realizar na segunda quinzena de Setembro e primeira quinzena de Outubro. Neste contexto é admissível a realização das duas eleições no mesmo dia.

Com argumentos algo diferentes quase todos os partidos defenderam a realização das eleições legislativas em dia diferente das autárquicas. Esta é a posição do CDS, do PS, do BE, do PCP e dos "Verdes", embora este partido nunca tenha concorrido sozinho mas sempre no ventre do PCP. Argumentam com a especificidade das duas eleições, com a maior riqueza democrática das eleições separadas e até com a urgência de fazer o orçamento de estado para o próximo ano.

Já o PSD defendeu junto de Cavaco Silva a vantagem de realizar os dois actos eleitorais no mesmo dia, para poupar o país a um excessivo período de campanhas eleitorais sucessivas, confiando que a democracia portuguesa já tem maturidade suficiente para os eleitores saberem distinguir entre as duas eleições e que deste modo também se poderá combater a abstenção.

Tenho alguma dificuldade em entender os argumentos dos opositores da eleição simultânea. Na verdade também as eleições autárquicas implicam sempre uma escolha tripla - para a assembleia municipal, câmara e assembleia de freguesia - e nunca os portugueses tiverem dificuldades em distinguir os candidatos na hora do voto. No passado também já se realizaram eleições europeias e legislativas no mesmo dia e os eleitores souberam bem fazer a distinção. É também verdade que a abstenção nas  eleições autárquicas costuma ser maior do que nas legislativas pelo que a realizarem-se no mesmo dia promove-se também uma maior participação nas eleições locais e com isso reforma-se a democracia e não o contrário.

Sim, Sr. Presidente da República, os portugueses sabem bem distinguir a diferença entre as várias eleições e os seus candidatos, com a mesma naturalidade que outros povos o fazem.

Venham lá as eleições legislativas e autárquicas no mesmo dia, que nós damos conta do recado!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Adeus ao maestro José Calvário

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Faleceu hoje com 58 anos, o maestro e compositor José Calvário, autor da música "E depois do adeus" cantada por Paulo Carvalho no Festival da Canção de 1974 e depois utilizada como a primeira senha dos capitães de Abril na madrugada libertadora.

Vencedor por várias vezes do Festival da Canção, José Calvário foi um dos mais importantes compositores da música ligeira portuguesa da década de 70, tendo composto para os mais populares cantores como Carlos Mendes, Fernando Tordo ou Paulo de Carvalho.

Partiu o homem ficou a obra. A música nunca morre.

terça-feira, 16 de junho de 2009

À flor da pele

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terça-feira, 9 de junho de 2009

Cavaco veta nova Lei de Financiamento dos Partidos

Como era esperado por toda a gente com bom senso o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vetou hoje a nova Lei de Financiamento dos Partidos, já aqui criticada. Agora o diploma será devolvido para nova apreciação da Assembleia da República. O PCP, talvez o principal interessado na nova lei, já condenou o veto presidencial mas o PSD e o PS manifestaram o seu empenhamento na alteração dos aspectos mais polémicos da proposta, indo ao encontro das reservas de Cavaco Silva, ainda durante a actual legislatura.

Já agora, seria bom que os dois principais partidos também se entendessem sobre um nome consensual para Provedor de Justiça revolvendo também este assunto antes dos deputados partirem para férias. 

Os portugueses anónimos que precisam dum defensor contra os abusos do Estado, certamente ficariam muito agradecidos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Novo cartaz nacional já está na rua


Terminadas as eleições europeias começa hoje a pré-campanha política para as eleições legislativas que se realizarão no final de Setembro. Com o Partido Socialista ainda a procurar perceber o que lhe aconteceu ontem nas urnas, o PSD tomou já a iniciativa política afixando o novo cartaz nacional por todo o país.

A mensagem é simples, clara, positiva e adequada: nunca baixamos os braços. O pais também não pode baixar os braços, como se dizia na minha juventude "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se alcance".

Não podemos baixar os braços, vamos vencer em Setembro, vamos vencer em Outubro, vamos vencer a crise.

domingo, 7 de junho de 2009

PSD venceu: nasceu uma nova esperança.

Contados os votos dos eleitores portugueses, o Partido Social Democrata venceu hoje as eleições para o Parlamento Europeu. Uma nova esperança nasceu para a alteração da situação política nacional. O grande derrotado é o PS que perdeu cerca de 600 mil eleitores em relação à anterior eleição.

Paulo Rangel, Manuela Ferreira Leite e o PSD venceram estas eleições contra tudo e contra todos, menos contra a vontade dos portugueses, claro está. Venceram contra a opinião publicada, contra os comentadores políticos do costume, contra as sondagens negativas, contra os ataques pessoais da campanha do PS, contra a propaganda e o envolvimento descarado do Governo socialista na campanha eleitoral.

Mas, é preciso dizer, venceram estas eleições por mérito próprio e contra muitos obstáculos e oposições internas. É verdade que o Partido não só não se empenhou totalmente na campanha como em alguns sectores alimentava-se o secreto desejo duma derrota do PSD, para depois afastar Manuela Ferreira Leite da liderança. 

Ainda tenho na memória as declarações públicas de alguns "barões" do partido mas também de alguns pequenos responsáveis locais, inconformados com o resultado das eleições internas do ano passado, que exigiram em diversos momentos a demissão de Manuela Ferreira Leite considerando-a incapaz de enfrentar o PS de José Sócrates e vaticinando uma copiosa derrota do PSD nas europeias.

Por isso esta vitória de Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel é duplamente significativa porque afirmou-se contra os naturais adversários externos mas também contra os conspirativos adversários internos do PSD.

Mas foi também a vitória da política de verdade, da vontade de falar aos portugueses olhos nos olhos dos reais problemas do país e das soluções realistas para os resolver. E aqui começa a próxima batalha política do PSD em direcção às eleições legislativas e autárquicas do fim do Verão.

Agora ninguém dirá que o PSD não pode voltar a vencer o Partido Socialista.

sábado, 6 de junho de 2009

É vital votar em Paulo Rangel!

Amanhã somos convocados para eleger os 22 deputados portugueses para o Parlamento Europeu. Ao contrário no que muitas vezes se diz esta não é uma questão menor da política portuguesa e das nossas escolhas enquanto cidadãos interessados no futuro do país. Na verdade cada vez mais a política interna é determinada e influenciada pelas decisões que se tomam nas diversas instâncias do poder da União Europeia. É assim hoje e assim continuará a ser no futuro.

Por isso precisamos de escolher os melhores para nos representar e defender duma vez só os interesses da União Europeia e os interesses de Portugal. As duas coisas não estão separadas nem existem sozinhas: uma União Europeia mais forte e mais desenvolvida tem melhores condições para fortalecer e puxar pelo desenvolvimento dos seus países membros. Ao contrário, não há para Portugal qualquer caminho para o seu desenvolvimento que não passe pela sua presença de corpo inteiro na União Europeia.

O autor deste blogue não é neutro nesta escolha, este é um blogue aderente à campanha do PSD para as europeias e para as outras eleições que se seguirão.

Há um ano não tive dúvidas nas eleições internas para a presidência do PSD e apoiei desde a primeira hora a candidatura de Manuela Ferreira Leite, que tem feito um trabalho notável de recuperação da imagem pública do PSD e da construção duma alternativa política ao actual governo socialista, credível e aceite pelos portugueses, assente numa única mas decisiva condição: falar verdade aos portugueses sobre os reais problemas do país e das suas soluções.

Sobre as propostas políticas de Manuela Ferreira Leite certamente que voltaremos a ter novidades depois das eleições europeias. Cada coisa a seu tempo.

Hoje, é por todos reconhecido o acerto da escolha de Paulo Rangel, primeiro para líder parlamentar e depois para cabeça de lista às europeias. Na verdade, Paulo Rangel foi a grande novidade política destas eleições, a lufada de ar fresco que tornou a candidatura do PSD o centro das atenções. A lufada de ar fresco de Paulo Rangel e as delirantes tiradas do candidato Vital Moreira, diga-se em abono da verdade.

Paulo Rangel, estabeleceu sempre a devida correspondência entre a dimensão europeia e a dimensão nacional das nossas políticas e percorreu mais de 11.000 km para levar a campanha eleitoral a todo o país. Manuela Ferreira Leite esteve presente nos momentos mais significativos e vários outros dirigentes e autarcas do PSD deram a sua contribuição e apoio na campanha de Paulo Rangel.

Agora é o momento de dar a voz aos eleitores. Na última campanha eleitoral nacional, com a liderança de Pedro Santana Lopes, o PSD não ultrapassou os 29%. As recentes sondagens colocam agora o PSD a disputar com o PS a vitória nas eleições europeias, embora com uma ligeira vantagem para os socialistas. Nada está perdido mas também nada está ganho e é necessário esperar pela noite de amanhã para fazer as contas finais. De qualquer modo o PSD está hoje em melhores condições políticas do que aquelas que Manuela Ferreira Leite herdou quando foi eleita Presidente do PSD, quando as sondagens não davam mais de 25% ao populismo errático de Luís Filipe Menezes. 

Amanhã vamos às urnas escolher os nossos representantes no Parlamento Europeu e é vital votar em Paulo Rangel.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Os bons e os maus


Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.

Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais. Não havendo legislação censória está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência. O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente.

Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas. Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem". Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores.

Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.

Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.



Por Mário Crespo