terça-feira, 22 de setembro de 2009

Na comunicação social o que parece é

"Não se pode dizer que de Espanha nem boa brisa nem boa Prisa, porque o clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.

No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.

Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.

Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".

Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.

É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.

A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.

O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.

Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.

Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.

O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.

É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.

É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve."


Mário Crespo, no Diário de Notícias, 07/09/2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"31 da Armada" revela novo Governo...

O video é da autoria do blogue "31 da Armada" e antecipa a composição do "novo governo" de esquerda, depois de José Sócrates ter despedido pela televisão os actuais ministros, se vencer as eleições. Em dia de regresso dos Gato Fedorento aos écrans, um pouco de humor negro sobre a "esquerda" portuguesa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jaime Gama elogia Alberto João Jardim

Para Jaime Gama, a Madeira é «a expressão de um vasto e notável progresso no País».

«A Madeira é bem o exemplo, com democracia, com autonomia, com a integração europeia de um vasto e notável progresso no País» , declarou.

Para Jaime Gama, a Região Autónoma da Madeira é «um trabalho notável, é uma conquista extraordinária, é uma obra ímpar e isso deve ser reconhecido».

O presidente da Assembleia da República admitiu que existem, por vezes, «divergências e batalhas políticas».

«Mas toda esta obra historicamente tem um rosto e um nome, e esse nome é o do presidente do Governo Regional da Madeira, a quem quero também prestar uma homenagem, na diferença de posições, por esta obra e este resultado» , disse.

Jaime Gama sustentou que a Madeira tem em Alberto João Jardim «um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo».

De acordo com o presidente da Assembleia da República, «na Madeira, tudo é uma conquista e, por isso, é que a vivência e concepção de autonomia na Madeira não é tanto a institucional, a conceptual ou jurídica, é sempre uma concepção de luta, de combate, de tenacidade, de vitória, de dinâmica, de afirmação em crescente».

«Isso deve ser entendido, deve ser compreendido, deve ser aceite, deve ser integrado, deve ser reconhecido e deve ser valorizado» , concluiu.

Jaime Gama considerou que «os autarcas não podiam escolher melhor sítio no País para reflectir sobre os problemas e questões que têm no seu horizonte».


in Lusa/Sol, Março de 2008

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O PS de Sócrates é contra a liberdade

"A decisão de censurar o Jornal Nacional de 6ª (JN6ª) foi tudo menos estúpida. O núcleo político do PS-governo mediu friamente as vantagens e os custos de tomar esta medida protofascista. E terá concluído que era pior para o PS-governo a manutenção do JN6ª do que o ónus de o ter mandado censurar. Trata-se de mais um gravíssimo atentado do PS de Sócrates contra a liberdade de informar e opinar. Talvez o mais grave. O PS já ultrapassou de longe a acção de Santana Lopes, Luís Delgado e Gomes da Silva quando afastaram a direcção do DN e Marcelo da TVI.

A linguagem de Santos Silva e do próprio Sócrates na quinta-feira sobre o assunto não engana: pelo meio da lágrimas de crocodilo, nem um nem outro fizeram qualquer menção à liberdade de imprensa. Falaram apenas dos interesses do PS e do governo. Sócrates, por uma vez, até disse uma verdade: o PS não intervinha no JN6ª. Pois não, foi por isso que varreu o noticiário do espaço público.

O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente “opiniões” e “notícias” nos órgãos de informação. Etc.

O relato da suspensão do JN6ª, no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias e outros jornais de ontem é impressionante, sinistro e muito perigoso. Provir de supostos “socialistas”, portugueses e espanhóis, em nada diminui a gravidade desta censura. Esta suposta “esquerda” dos interesses, negócios e não resolvidos casos de justiça é brutal.

Intervindo na TVI, o PS-Governo atingiu objectivos fundamentais. Como disse Mário Crespo (SICN, 03.09), o essencial resume-se a isto: J.E. Moniz e M. Moura Guedes foram eliminados —e com eles as direcções de Informação e Redacção e um comentador independente como V. Pulido Valente.

Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por “razões de empresa”?

O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo."

Opinião de
Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão e escreve no PÚBLICO

domingo, 6 de setembro de 2009

A verdade incomoda muita gente...

"Quando se fala de verdade em política, é algo que me arrepia e penso que não estarei sozinha nessa reprovação de mensagens críticas", assim fala Joana Amaral Dias, conhecida militante do Bloco de Esquerda, em entrevista ao Diário de Notícias, incomodada com a política de Manuela Ferreira Leite de falar verdade aos portugueses sobre os reais problemas.

Há políticos tão habituados a mentir na política que já acham natural.

Mas se falar verdade em política "arrepia" assim tanto a irresponsabilidade da esquerda radical é bem verdade, como diz Joana Amaral Dias, que não está sozinha nesse desconforto. É também visível o desconforto do Partido Socialista e de José Sócrates com a mensagem e a campanha social-democrata.

Sinais de que Manuela Ferreira Leite está no bom caminho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A extrema esquerda anda nervosa?

Este final de Agosto, com as temperaturas a subirem acima dos 30º, parece estar a aquecer as preocupações políticas da esquerda radical portuguesa. Há dois sinais claros da preocupação crescente nos dirigentes do PCP e do Bloco de Esquerda.

Jerónimo de Sousa, sempre pronto a meter o PSD e o PS no mesmo saco da "direita contra os trabalhadores" descobriu agora diferenças entre os programas eleitorais dos dois partidos. Descobriu agora aquilo que sempre lá esteve e que ele não queria ver. Mas Jerónimo de Sousa vem agora elogiar o PS por ser diferente do PSD e por combater a pretensa privatização da segurança social que, dizem eles, Manuela Ferreira Leite estará a planear.

Como de costume, Francisco Louçã é mais radical do que Jerónimo de Sousa e nos últimos dias não tem parado de atacar o PSD, por tudo e por nada. Agora até já o próprio formato da campanha eleitoral do PSD incomoda o radical Francisco Louçã, como se todas as campanhas eleitorais tivessem de seguir a cartilha da agitação e propaganda dos estrategas bloquistas.

Ao PSD é absolutamente indiferente a forma como os outros farão as suas campanhas eleitorais, sejam elas dentro das regras do saudável confronto democrático. Mas o que verdadeiramente significam estes ataques da esquerda radical e comunista é que os seus dirigentes estão a tomam consciência de que o PSD é, muito provavelmente, o vencedor das próximas eleições legislativas.

Não são favas contadas, longe disso, mas o PSD tem hoje condições para enfrentar as eleições do dia 27 de Setembro com a perspectiva da vitória.

É por isso que Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã andam tão nervosos.

sábado, 29 de agosto de 2009

O exemplo de Pedro Santana Lopes

Ao ouvir hoje o discurso de Pedro Santana Lopes na Universidade de Verão do PSD não pude deixar de recordar as eleições internas do ano passado e os percursos que seguiram os candidatos derrotados por Manuela Ferreira Leite.

Pedro Passos Coelho ficou em segundo lugar não muito distante da vencedora e talvez por essa razão tem alimentado a esperança e gerido a expectativa duma derrota eleitoral do PSD para avançar para a conquista da presidência do partido, dedicando-se a manter a sua campanha interna junto das estruturas locais.

A vitória eleitoral nas europeias veio comprometer os planos de Pedro Passos Coelho, com a agravante do PSD ter vencido sem ele e até contra ele.

Ao contrário, Pedro Santana Lopes, que ficou em terceiro lugar na disputa interna, saudou Manuela Ferreira Leite logo na noite da vitória e tem estado sempre disponível para dar a cara pelo PSD. Não exigiu lugar no parlamento, não se quis impor como cabeça de lista de nada, antes pelo contrário aceitou o difícil desafio de ser candidato à câmara de Lisboa numa coligação encabeçada pelo PSD.

Não conspirou, antes colaborou com a liderança nacional do PSD.

Hoje, ouvi Santana Lopes na Universidade de Verão do PSD a elogiar o Programa Eleitoral de Manuela Ferreira Leite deixando claro, para quem tivesse dúvidas, o seu apoio e o sentido do seu voto. Devo dizer que não tenho uma particular simpatia política por Pedro Santana Lopes, mas o comportamento de PSL é o que eu esperava de militantes destacados do PSD, em particular daqueles com maior eco na comunicação social. Isto é, independentemente de alguma divergência interna sempre legítima, estar ao lado do partido nas eleições do dia 27 de Setembro.

De Pedro Passos Coelho já sabemos e lamentamos que não fará campanha. De Pedro Santana Lopes sabemos que o PSD pode contar com o seu espirito de militância. No dia 27 de Setembro o PSD pode vencer o Partido Socialista e se isso acontecer todos saberemos que não terá sido pela participação de Pedro Passos Coelho, mas que terá um pouco da contribuição de Pedro Santana Lopes.

E os militantes e o PSD não esquecerão esse facto.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

De férias sem o programa do PS...

Ainda estou de férias para a política, se assim se pode dizer, e sem levar comigo o programa eleitoral do Partido Socialista. Não que o PS não se tenha esforçado e não o tenha publicado a tempo, ainda em Julho. Mas depois havia também o programa do Bloco de Esquerda, com cerca de 200 páginas... e era leitura suficiente para me provocar uma azia não desejada.

Mesmo em ano de eleições férias são férias e não me estou a ver a andar com o portátil debaixo do braço a fazer uns intervalos para ler os programas eleitorais. Ainda por cima a passar uns excelentes dias de descanso na Serra da Estrela, em pleno Verão, quando metade do país que pode gozar férias vai a banhos para o Algarve.

A simpática vila laranja de Manteigas não merecia tamanha desconsideração. Nem Manteigas nem o Vale Glaciar, nem a Praia Fluvial de Valhelhas (com Bandeira Azul, pois então...) nem a cidade rosa de Seia ou a cidade laranja de Gouveia. Para não falar da beleza silenciosa e esmagadora das montanhas, vales, encostas e rios da Serra da Estrela.

Foi a primeira vez que fui à Serra da Estrela no Verão, mas não a última, estou certo disso, e a próxima será quando a neve entrar em degelo. Nem que seja só para ouvir o murmúrio da água a correr pelas vertentes à procura do caminho que a leva aos rios Mondego, Zêzere e Alva, antes de desaguar no mar.

O mar...

O mar que Maria Gadú canta em "Shimbalaiê". Quem visita este humilde blogue sabe do meu fascínio pela música popular brasileira. Talvez a minha última "descoberta" seja a jovem cantora Maria Gadú e atenção que tem o valor e talento suficiente para levar "dinossauros" como Milton Nascimento a visitar os bastidores do seu primeiro grande concerto no Rio de Janeiro e a fazer-lhe rasgados elogios.

Maria Gadú tem só 22 anos e vejam como ela canta. Mas não só canta com compõe, escreve e toca vários instrumentos. A música que vos ofereço chama-se "Shimbalaiê", faz parte do primeiro albúm homónimo de Maria Gadú, editado já em 2009, e foi composta pela cantora quando tinha apenas 10 anos de idade!

Esperemos pela sua edição em Portugal até porque, infelizmente, muitos dos novos autores da música popular brasileira são totalmente desconhecidos do público português.

"Shimbalaiê" canta o sol e o mar de Maria Gadú. Mas bem podia ser o nosso sol e mar da minha Praia Grande de sempre. Ou ainda das praias da Costa da Caparica e de Lagos, a minha cidade ao Sul, da última década.

Oiçam Maria Gadú, os programas do PS e do Bloco de Esquerda podem esperar.

Em fim de férias, eu volto à política amanhã com a apresentação do Programa Eleitoral do PSD.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto AO VIVO NO CAMPO PEQUENO

A agência Lusa anunciou ontem que "José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto cantam juntos dia 22 de Outubro no Campo Pequeno, em Lisboa, e dia 31 no Coliseu do Porto.

O espectáculo intitulado "Três Cantos" junta intérpretes e autores cujas carreiras e percurso de vida se cruzam e revelam afinidades, quer musicalmente quer em termos poéticos".

A última vez que o vi ao vivo, com o espectáculo "Mudar de Vida 2", na no Auditório da Culturgest, José Mário Branco exprimiu o desejo antigo de fazer um espectáculo conjunto com Sérgio Godinho e Fausto, dizia ele, é um projecto caro e que precisava de patrocínio, que agora se concretizou.

A notícia da Lusa dá nota de que a produtora Vachier & Associados considera que se trata dum "encontro histórico" e de facto assim é já que não é usual os cantores portugueses partilharem o mesmo palco com um espectáculo conjunto, ao contrário do que acontece com os autores brasileiros que têm uma longa tradição de parcerias.

Encontro histórico que merece e justifica que seja gravado e filmado para posterior edição em DVD, para que todos aqueles que não conseguirem assistir ao vivo não percam o espectáculo.

Eu lá estarei, a fazer as pazes com as minhas guerras, mas por agora deixo-vos José Mário Branco com "Inquietação" do álbum "Ser Solidário", apenas para abrir o apetite.

sábado, 8 de agosto de 2009

Façam o favor de ser felizes!

Preso por um fio, o coração de Raul Solnado deixou hoje de bater.
A melhor homenagem que lhe podemos fazer é cumprir o seu pedido: façam o favor de ser felizes!