sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Onde está a renovação prometida?

Entre candidatos efectivos e candidatos suplentes a lista aprovada pela última reunião do Conselho Nacional do PSD teve de decisão sobre a inclusão de cerca de 250 nomes para integrarem a lista a apresentar às eleições legislativas do próximo dia 27 de Setembro. De fora, como se sabe, há uma boa meia dúzia de militantes que alimentava a esperança de integrar a lista e se tem desdobrado em declarações de crítica às decisões do Conselho Nacional.

Fala-se de sectarismo da líder do partido e de falta de renovação das listas, o que não deixa de ser curioso quando, na generalidade, o que se critica é a saída de anteriores deputados e a não inclusão de Pedro Passos Coelho, que se tivesse sido integrado não seria nada de novo mas apenas mais um regresso ao Parlamento.

Mas a verdade é que Manuela Ferreira Leite definiu como uma das regras na escolha dos candidatos a renovação do grupo parlamentar.

Mas então, se assim era exigido, onde está a renovação prometida pela líder do PSD?

O Jornal i, publicado ontem dia 6 de Agosto, dá-nos uma interessante ajuda para perceber qual a dimensão da renovação introduzida nas listas de candidatos a deputados dos dois partidos da área do poder e que vão disputar a vitória nas legislativas, PS e PSD.

Foram considerados os candidatos que ocupam os primeiros 2 ou 3 lugares nas listas de cada distrito nos dois partidos, sendo 60 candidatos do PS e 58 do PSD. Portanto estão todos os cabeças de lista e os lugares seguintes de maior relevo.

Depois, foram agrupados em dois grupos: o grupo dos repetentes, incluíndo os actuais deputados e aqueles que já foram no passado e agora regressam, e o grupo dos estreantes com todos aqueles que nunca ocuparam um lugar no Parlamento.

É no grupo dos estreantes que se afirma a renovação das listas de ambos os partidos. Então vejamos os resultados:

No PS, dos 60 candidatos contam-se 44 repetentes e 16 estreantes, isto é, apresenta uma taxa de renovação de 26,6%.

No PSD, dos 58 candidatos contam-se 31 repetentes e 27 estreantes, isto é, apresenta uma taxa de renovação de 46,5%, vinte pontos acima da taxa de renovação do PS.

Curioso ainda é constatar que o PS parece não ter muita confiança nos estreantes para cabeça de lista, já que apenas um deles ocupa o 1º lugar. E mesmo essa estreante, cabeça de lista por Coimbra é Ana Jorge, a actual Ministra da Saúde.

Já o PSD confia em 5 dos seus estreantes a responsabilidade de ser cabeça de lista, em Bragança, Guarda, Portalegre, Évora e Beja.

Finalmente o PS apresenta 7 estreantes a ocupar o 2º lugar nas listas contra o PSD que apresenta 9 estreantes na mesma posição.

Não tenho dados para avaliar a profundidade da renovação na totalidade das listas, mas se nos lugares cimeiros a renovação atinge tão elevada expressão é de acreditar que para as listas inteiras a regra não se altera.

Está aqui a renovação prometida das listas de deputados. Só não vê quem teima em não querer ver e deixa tapar a realidade com o fumo negro das conveniências pessoais.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pensamento do dia

"Se o Ribau Esteves diz mal das listas de candidatos a deputados do PSD é porque elas são boas". Já tinhamos saudades do Ribau...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PS em defesa de Pedro Passos Coelho?

"Em declarações à agência Lusa, Silva Pereira disse lamentar "o saneamento político" de Pedro Passos Coelho na lista de candidatos do PSD pelo distrito de Vila Real".

É comovente e sintomática a defesa pública de Pedro Passos Coelho assumida pelo dirigente socialista Pedro Silva Pereira. Mas, esquece Pedro Silva Pereira, a escolha dos candidatos do PSD é um assunto interno dos sociais-democratas e não lhe fica bem meter a foice em seara que não é a sua.

De qualquer modo o Conselho Nacional do PSD realizado ontem demonstrou que não gosta das maiorias de 98% típicas da Coreia do Norte, da China, de Cuba, da Venezuela, do PS... do PCP... ou do voto por "consenso" do BE.

Pedro Silva Pereira precisa também de aprender que saneamento político é uma coisa muito diferente de perder uma votação democrática, a não ser que esteja a pensar das declarações públicas de Manuel Alegre sobre o afastamento dos seus apoiantes da lista de candidatos do PS.

Eu, prefiro a confrontação democrática à unanimidade do "centralismo democrático".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O namoro a Joana Amaral Dias

Lembrei-me do poema "O namoro" do poeta angolano Viriato da Cruz, aqui cantado por Sérgio Godinho, a propósito do "namoro" do PS a Joana Amaral Dias e da resposta violenta e ciumenta de Francisco Louça. Depois viemos a saber que também o BE tem tentado seduzir militantes da ala esquerda do PS, para as suas listas.

Dois homens à briga por uma mulher bonita, aqui não há novidade nenhuma, mesmo na política à portuguesa em pleno Verão.

O melhor é mesmo a música.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério Público 4 - Isaltino Morais 3 (ao intervalo...)

O autarca Isaltino Morais, Presidente da Câmara de Oeiras, foi hoje condenado a 7 anos de prisão efectiva, à perda de mandato e ao pagamento de 463.000 € ao Fisco, no final do julgamento que decorreu no Tribunal de Sintra, que o considerou culpado de 4 e absolveu em 3 dos 7 crimes de que vinha acusado pelo Ministério Público.

Isaltino Morais foi condenado pelos crimes de fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Foi absolvido das acusações de crime de participação económica em negócio e de dois crimes de corrupção passiva.

O autarca foi constituído arguido num processo que remonta já a 2005 relacionado com contas bancárias na Suíça e Bélgica, onde era acusado de receber dinheiro «em envelopes entregues no seu gabinete da Câmara», segundo a acusação, para aprovar projectos urbanísticos.

Declarando-se inocente no final do julgamento anunciou a intenção de recorrer da decisão do Tribunal. Como a pena fica suspensa do recurso, Isaltino mantém-se na Câmara e vai de novo a votos a 11 de Outubro, para tentar a reeleição como independente.

Não vão faltar agora os comentários populistas do costume querendo confundir a árvore com a floresta e meter todos os autarcas no mesmo saco, como se todos fossem iguais. Mas, nestes 35 anos de democracia e de poder local, é preciso lembrar que já centenas de autarcas de todos os partidos exerceram e exercem funções públicas de forma séria, competente e dedicada ao bem-estar das populações e desenvolvimento local.

Separemos então as águas, sem confundir o trigo com o joio, mesmo sabendo que a sentença ainda está longe de transitar em julgado. Estamos, portanto, no intervalo do jogo, mas Isaltino Morais perde com 4-3 com o Ministério Público.

Convém também lembrar que foi o então líder do PSD, Luís Marques Mendes, que nas eleições de 2005 teve a coragem política para por a ética à frente dos resultados eleitorais, afastando Isaltino Morais das listas sociais-democratas.

Agora, como naquela altura, Luís Marques Mendes tem toda a razão.

Política, ética e vergonha.

Luís Marques Mendes recordou este fim-de-semana a afirmação de Francisco Sá Carneiro de que "a política sem ética é uma vergonha".

A propósito disso quero agradecer a todos os amigos e companheiros do PSD/Sintra que me manifestaram solidariedade e apoio, dizendo-lhes que a minha utopia continua a ser a social-democracia, que é maior que qualquer intriga local e interesse particular.

Sintra com Museu da História Natural

"Localizado na Vila Velha de Sintra, em pleno Centro Histórico, o museu, que ocupa a maior parte do edifício oitocentista do antigo Mercado de Sintra, conta com milhares de peças de valor incalculável e enorme importância científica que o coleccionador Miguel Barbosa e sua mulher, Fernanda Barbosa, reuniram ao longo de décadas e que doaram ao Município.

Devido à qualidade e raridade de muitas das peças, a colecção deste museu detém uma importância nacional e internacional, com destaque para alguns dinossauros e ninhos de ovos de dinossauros provenientes do Deserto do Gobi, na China, ou para os fragmentos do meteorito de Nantan (China), que caiu na Terra no século XVI.

Mas, a maior preciosidade do Museu é, sem dúvida, o único exemplar existente em todo o Mundo de uma espécie de réptil voador, o Braseodactylus sp. Além de único, este exemplar encontra-se totalmente inteiro, tendo já sido alvo de profundo estudo por parte do Departamento de Geologia do Museu de História Natural de Karlsruhe.

A colecção de fósseis conta com inúmeras peças consideradas raras, dada a sua boa conservação e representatividade das eras geológicas a que pertencem, enquanto a de mineralogia detém peças provenientes das mais diversas regiões do mundo.

Este Museu oferece todas as valências consideradas obrigatórias: Exposição de Longa Duração (do Pré-Câmbrico ao Quaternário); Espaço Multimédia, Sala de Exposições Temporárias, Serviço Educativo, Laboratório, Investigação, Loja, Cafetaria e Jardim.

Está dotado com totens informativos e com um écran gigante, onde, em ambiente interactivo, serão projectados diversos conteúdos.

Na Exposição de Longa Duração é possível assistir a uma simulação do ‘big-bang’, seguindo, depois, um percurso lógico e diacrónico que explorará a vida na Terra, desde o Pré-Câmbrico (entre c. de 4.500 milhões de anos e 60 milhões de anos), até ao Quaternário (entre c. de 5 milhões de anos até ao aparecimento dos primeiros Hominídeos).

Recorda-se que este é o quarto Museu de História Natural constituído na região de Lisboa, sendo, contudo, o mais moderno e o mais universal quanto à proveniência das suas peças.

O Museu de História Natural de Sintra funcionará com entrada gratuita, de terça a sexta-feira, das 10H00 às 18H00; sábados, domingos e feriados, das 14H00 às 18H00. Encerra à segunda-feira."

Mais um museu para enriquecer a rede de equipamentos culturais do concelho de Sintra. Mas eu ainda não perdi a esperança de um dia ver em Sintra um museu dedicado ao Arquitecto Raul Lino e à arquitectura regional portuguesa.


domingo, 2 de agosto de 2009

Se José Afonso fosse vivo...


Se José Afonso fosse vivo faria hoje 80 anos.
Quantos anos faz a nossa saudade?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mariana Aydar, deixa o Verão para mais tarde

É cantora, chama-se Mariana Aydar e é uma das novas revelações da música brasileira. As suas músicas passam todos os dias na rádio portuguesa, em particular "Beleza" o mais conhecido tema do seu último álbum "Peixes Pássaros Pessoas", cantado em dueto com Mayra Andrade.

Mariana Aydar é ainda uma jovem mas já com um talento bem maior que o corpo e certamente terá um grande futuro, na tradição das grandes cantoras brasileiras. Para quem como eu aprecia a música popular brasileira é sempre um prazer receber uma nova voz com a qualidade de Mariana Aydar, já publicamente elogiada pelo exigente Caetano Veloso.

Mas a curta carreira de Mariana Aydar conta já três álbuns editados. Para além do já referido "Peixes Pássaros Pessoas" editado já em 2009, publicou ainda "Brasil, Sons e Sabores" em 2005 e "Kavita 1" em 2006, donde retirei o tema que vos ofereço "Deixa e Verão para mais tarde", agora que o calor começa a anunciar que as férias estão quase a chegar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A coligação negativa por Lisboa

Esperado por uns e impensável por outros a verdade é que António Costa lá conseguiu fazer um acordo de coligação com Helena Roseta para a candidatura à Câmara de Lisboa.

Façamos um pouco de história. Helena Roseta demitiu-se do PS em 2007, ofendida por José Sócrates não a ter escolhido como a candidata natural dos socialistas às eleições intercalares na capital. Helena Roseta bem tentou, disponibilizando-se por escrito ao secretário-geral do PS que nunca lhe respondeu.

Rompendo com o PS, Helena Roseta devolveu o cartão de militante e foi promover a sua candidatura independente à Câmara, apoiada pelo recém formado movimento Cidadãos Por Lisboa. Nas urnas o resultado foi a eleição de dois vereadores e depois a colaboração com o eleito Presidente António Costa na área da política municipal de habitação.

Tudo parecia correr de feição a Helena Roseta autarca independente não fosse o PSD ter vencido as recentes eleições europeias, assumir-se como candidato a vencer as próximas legislativas e, para cúmulo, Santana Lopes lançar-se à conquista da Câmara de Lisboa e as sondagens darem-no empatado com António Costa. O que significa que Santana Lopes pode vencer no dia 11 de Outubro.

Soaram as sirenes e o pânico instalou-se nas hostes socialistas da capital. António Costa apressou-se a fazer coligações com todos os disponíveis. Com o antigo eleito e abandonado pelo BE, José Sá Fernandes, primeiro e agora também com Helena Roseta.

Fazer coligações não só é legal como natural em política, mas seria de esperar que se fizessem em torno dum projecto comum de governo local. Neste caso o que move a coligação em torno de António Costa é o medo. O medo de Santana Lopes vencer as próximas eleições como se daí viesse um cataclismo para a capital do país, que é necessário impedir a todo o custo.

É a coligação do medo, uma coligação negativa que se justifica apenas na vontade de combater um outro candidato, aparentemente mais forte. É uma coligação negativa que pouco de positivo oferece à cidade de Lisboa.

Mas é também uma coligação de muitos galos para os mesmos poleiros. António Costa já tinha um vereador com peso próprio na área do urbanismo, o arquitecto Manuel Salgado. Agora vai ter também a arquitecta Helena Roseta como "falso" nº 2 da Câmara e ainda, diz-se, o urbanista Fernando Nunes da Silva, também indicado pelos Cidadãos Por Lisboa.

A comunicação social tem exposto as diferenças de opinão entre estes três urbanistas em torno de projectos concretos para Lisboa. Como se entenderão eles sob a batuta de António Costa?

A coligação entre António Costa e Helena Roseta é também o fim da experiência estimulante da democracia participativa e da iniciativa dos cidadãos pelas causas locais, fora do espartilho da disciplina partidária.

E também nesse aspecto a democracia vai perder com a coligação negativa de António Costa e Helena Roseta.